sábado, 28 de maio de 2011

Leminskiniano

odor de flamboyant

nos ares e

seus braços esguios

sobre o outuno

que cai em intenso rubro

dos olhos

que perambulam jardins

e consomem

o silêncio das pessoas

nos seus mundos

o amargo das folhas

ao vento - feito nau - à deriva

- um sopro, uma direção -

sombra que abraça o

pensamento do musgo

que se agarra às

quatro estações

e vive esquecido de viver

odor de flamboyant

nos ares

e o outono se despedaça

em mim feito

- caco de vidro -

lembrando leminski.


(Minas Gerais, abril de 1990)